Friday, February 06, 2015

Estereótipos

                Começamos em arquétipos embasados naquilo que aprendemos com filmes e palavras. Absorvemos que imagens constroem o psicológico e não o contrário. Julgamos que ações são dissimuladas pela figura que nos é inicialmente apresentada ou modificada. E ficamos assim até começarmos a galgar nossa socialização.

                Quando começamos a penetrar a primeira camada de interações sociais descobrimos que a imagem corresponde só em parte do que o psicológico é. Começamos a associar que nossa percepção inicial possui falhas: não é porque é metaleiro que é encrenqueiro, que por ser funkeiro é vidrado em sexo e dinheiro, que por ouvir samba é vagabundo. Prestamos mais atenção a gestos e palavras, unindo-os em nosso entendimento de expressão corporal e a partir disso tecemos nosso julgamento. Observamos, procuramos entender e depois julgamos.

                O engraçado disso é que, devido à nossa necessidade de familiaridade e classificar o mundo que nos envolve, nos espantamos quando outros demonstram ações e reações diferentes do que esperamos. Somos viciados em encaixar cada figura que nos é apresentada em formatos que consigamos entender, talvez querendo abstrair sentido de um mundo que, muitas vezes, não produz sentido algum. Não queremos o novo, queremos apenas o que esperamos de algo novo, algo que tenha comportamento, ação e reação previsível, estabilidade. Queremos poder predizer o outro para não lidar com o caos diário.


                Não me isento desse julgamento, assim como não digo que todos assim se portam. Mas o mais divertido é observar como as pessoas se traem ao dizerem buscar o novo quando só esperam as velhas e previsíveis reações que aprenderam em vida. Um grande jogo viciado.

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