Saturday, February 22, 2014

Sociedade pode ser demais

Francisco sempre foi o sócio carrancudo. Exigente, não gostava de nada fora do lugar, e Lucas nunca foi de fazer as coisas da maneira que Francisco gostava. Lucas admirava o sócio, tinha grande afeição pela capacidade dele, e boa parte das vezes embarcava nas idéias de Francisco. O problema era o gênio tempestuoso...

Lucas tinha um sério problema em controlar suas objeções mais... ríspidas (digamos assim). Francisco costumava argumentar com calma (ou o que ele considerava calma), mas não tardava até que ele também soltasse suas bravatas. Por mais que a sociedade fosse excepcional e um modelo às empresas do ramo, pequenas divergências (que, na verdade, se mostraram grandes desentendimentos quanto ao rumo que cada um buscava) por vezes levava os dois a seriamente reconsiderar a sociedade.

Francisco já havia, por vezes que pareciam incontáveis, vendido sua parte da sociedade no mercado de ações, para começar outra empresa, com outros sócios, não gostar e comprar tudo de novo para voltar à sociedade com Lucas (ou boa parte das ações - ou o que ele achava boa parte). Essa inconstância do rabugento, que Lucas sempre considerou danosa à empresa e à amizade anterior dos dois, acabava danificando a vontade do jovem em ali permanecer. Não tenha dúvidas, Lucas sabia das capacidades de Francisco, mas era temeroso sobre como as coisas poderiam acabar se as contendas não se resolvessem.

Então Francisco resolve embarcar em mais um negócio e acaba até fundando uma filial própria, mas desliga-se de seu cargo na empresa matriz pouco depois por desentendimentos com a diretoria. E, para surpresa de todos, volta à sociedade com Lucas. O grande problema, caro leitor, é que Lucas já estava tão cansado do jogo que resolve, ele mesmo, sair da empresa, deixando o conviva desolado. Francisco, então, promove várias reuniões com o confrade, na tentativa de voltar àquela empresa que os dois abriram juntos, cheios de sonhos e esperanças. E assim Lucas volta, mas não sem antes extensas negociações para garantir que tudo funcionasse.

A questão do que cada um esperava dos rumos da empresa acabou levando a discussões fervorosas com o tempo, consumindo mais em reuniões do que fazendo dinheiro, resultando em decidirem fechar a empresa de vez. Lucas, já de saco cheio da falta de objetividade do sócio, decide, finalmente, dizer tudo que estava guardado há tanto tempo sobre aquelas atitudes e mandar Francisco à merda de vez. E não se falaram mais.

Francisco, que até tinha esperanças com a empresa, se sentia minado com a forma que o negócio andava, e até que achou que foi de bom tom encerrarem tudo. O que Francisco realmente queria era que Lucas tivesse sócios ativos em qualquer outra empresa que fosse entrar ou fundar para entender, finalmente, o porquê de ser sempre tão exigente e reclamão. Ou assim ele imaginava que fosse acontecer.

Sobre Lucas... O garoto até que se deu bem na vida, mas vive se lembrando de sua primeira empresa, com seu antigo amigo de Faculdade, com uma saudade que as vezes o levava a divagar. Mal sabia ele que Francisco fazia o mesmo.

1 comment:

Ysla said...

Há sempre uma história que acontece assim conosco. Um rompimento pelas diferenças... e a saudade delas no final.

Saudade de ler você, bom que ainda continua escrevendo... eu tou tentando retornar...

=)