Tuesday, November 27, 2012

Reatando um relacionamento

Roberta sabia que tinha algo errado. Eram desculpas demais, compromissos demais, demandas demais. Prazos que só existiriam se ele tivesse outro emprego. Ela sabia que havia algo por trás de toda aquela mudança de comportamento. Mas ela resolveu entrar no jogo.

Saber do que acontecia dava um aperto no peito, um nó na garganta e uma incrível vontade de sumir... e chorar. Havia tentado por tanto tempo para que ele, quando finalmente entra em harmonia com seu desejo, resolve "omitir" que não era como dizia ser. Ela já estava acostumada com isso no passado, quando eles não estavam tentando algo mais sério, mas ele nunca mentiu. Por que isso agora? Ele só quer se divertir? Ele só quer fingir que está tudo bem e ter outra vida? Ok, mas desta vez ela vai ditar as regras.

Ela fingia que acreditava em suas histórias, em suas desculpas. Saía, tentando se distrair quando podia, conversava com amigas, se focava mais no trabalho, flertava com um ou outro... Sim, afinal as regras do jogo mudaram e ela nem mesmo foi comunicada! Não iria se dar por vencida e deixar tudo explodir! Estava cansada de sofrer por algo por tanto tempo, era hora de mudar.

Cada vez que o encontrava, alfinetava uma situação. "Mas não disse que estava no trabalho?" Ele sempre tentava consertar, achando que convencia com suas desculpas esfarrapadas. Acabou que se divertia mais mostrando as mentiras de forma sutil que com outras coisas que pensava em fazer (como sair com seu melhor amigo quando tivesse fotos para mostrar a ele e encerrar tudo). E tá, o sexo era bom, mas ele não estava mais tão compenetrado. E era bem claro o motivo.

Ela começou a notar um padrão nas ações dele e resolveu dar corda à crença dele de que tudo estava escondido: fingia que não percebia e apenas dizia "pena ter esse compromisso hoje, nos vemos outro dia", fosse ao telefone ou internet. E começou a segui-lo. Ela já conhecia os locais que ele gostava de freqüentar: oras, 5 anos tem peso! E sabia bem como mudar sua roupa de maneira que ele não fosse reconhecê-la (que quase não repara em nada que não esteja à sua frente - tadinho...). E em uma dessas andanças que ela o viu... com outra. E essa outra era justamente uma grande amiga sua.

Com o coração na mão e suas mãos tremendo de ódio, tirou as fotos que queria, e foi-se embora dali. Não iria conseguir relaxar naquela noite, procurou só chorar em seu travesseiro até parte da dor passar e dormir. E assim o fez, por 3 dias... Até o ver.

Ela chegou com o sorriso habitual e o abraçou. Estavam em um bar e ela disse que tinha uma surpresa. "Tirei umas fotos pensando em você. Quer ver?" Ele estava meio tímido com a fala (era um local público), mas disse que sim com a cabeça. Então ela abriu as fotos que tirou com o celular. "Deveria saber que não tem como esconder algo de mim. Eu nunca menti no que eu sentia, e tampouco duvido do que você sente. Mas se fosse pra ficar com outra pessoa preferia que fosse sincero. Não sei se sinto nojo ou pena de você. Mas sei que agora é 'adeus'."

E embora seus olhos marejasse durante todo o breve discurso, ela saiu com a certeza de que era o certo a se fazer. Mais uma dentre tantas decepções, mas ao menos mais uma vez em que ela conseguiu sair sem ser tratada como idiota.

1 comment:

Nicole Nicolela said...

Céus.. Que foi isso ?