Sunday, October 14, 2012

Um dia...

E há dias em que o sol escurece. Uma lâmpada sem calor que, em vão, procura aquecer em noite de desatino. Talvez o furor com que fingimos viver essa apoteose entorpeça os sentidos, mas acredite quando digo que nada que se sente pode morrer.

Não, não são apenas mais algumas situações a lidar. A suposta calmaria que antecede essa tempestade é sinal do que ocorrerá ao barco que nela navega. A questão é só quando acontecerá, não se acontecerá. Navegar pode até ser preciso, mas se será fácil é uma história bem diferente.

Hoje sonhei e recolhi fragmentos diversos. Creio ser de senso comum esquecer-se do egoísmo, embora seja mais difícil do que parece. Não é para encontrar soluções mágicas, é aprender a lidar com as situações apresentadas da maneira mais sincera possível. É evitar fazer o que diz abominar nos outros, procurar ser você mesmo em cada ação. É não querer ser o outro sendo o outro. É ter empatia e procurar ser a pessoa em que acredita ser. É se lembrar do que te faz feliz e ser sincero com suas emoções e relações com o mundo e com você. É deixar de acanhamento e deixar o que deve ocorrer, seja alegria ou tristeza. É se ver no outro, e ver o outro em você.

A lua está convidativa hoje. Não, ela não está sorrindo, não anuncia uma noite agradável e nem promete jubilo. Ela é aquele que grita estando mudo, querendo arrancar a pele com as unhas para sentir algo diferente. Ela soa a desespero, rancor e escárnio. Resmunga coisas mil antes de se debruçar sobre você e oferecer mais uma bebida, entorpecendo seus olhos. E, invertendo o jogo do dia, desaparece por horas para marcar o vício.

Uma canção acústica para lembrar que a mesma heterogenia que nos cerca e nos mostra que não estamos sozinhos é a que nos obriga a dizer adeus. E pesa saber que o torpor é o que nos mantém vivos até o momento de parar, descansar e velar. E pesa saber que o torpor vem de muitos momentos em que a lua convidou para um passeio.

Não sei se digo que, no momento, aguardo o sol esquentar ou brindo com a noite.

No comments: