Saturday, June 26, 2010

Maus exemplos do Sítio do Pica Pau Amarelo e do Pequeno Príncipe (outro autor)

O texto abaixo é de autoria de Henrique Gonçalves do Carmo e está diponível neste link. Achei bem bacana e resolvi passar adiante.

Maus exemplos do Sítio do Pica Pau Amarelo e do Pequeno Príncipe.

Ontem, tivemos várias revelações aqui onde eu trabalho. Como todas as revelações importantes, elas normalmente aparecem quando você inicia uma discussão inócua, inocente. A de ontem era sobre desenhos animados. Cada qual falava seus desenhos favoritos, porque gostavam, se os outros lembravam... enfim, estavamos sendo saudosistas com os tempos que não voltam mais. E ao comparar desenhos e suas mensagens, descobrimos analogias interessantíssimas! Eu apresentei uma que já estava na minha cabeça há anos, e conheci uma nova. Você gosta de Pequeno Príncipe e Sítio do Pica-Pau Amarelo? Então o resto do post pode ser chocante para você...

Primeiro, porque o Pequeno Príncipe é um ecoterrorísta.
(Sim, você leu certo. Um ecoterrorísta.)

Desde que eu assistia o desenho, ficava chocado com a gana daquele princípezinho arrogante em chacinar os baobás. Já não bastasse ser um déspota auto-proclamado - porque se ele era o único habitante do asteroíde B-312, então ele se denominou príncipe, tal qual o cara de Sealand -, mas ele ainda podava incessantemente os baobás, a única forma de vida nativa do planetóide! Podemos ir além e dizer que ele era um genocída, já que uma espécie inteira de plantas alienigenas pereceu na poda desse "Zé Pequeno Príncipe".
E não contente em ser um déspota, genocída, e ecoterrorísta, ainda era sequestrador! Sim! Seu ódio as plantinhas não restringia-se apenas aos baobás inocentes, mas também à pequena e pobre Rosa que ele mantinha em cativeiro. Presa numa redoma de vidro, tinha sua breve vida prolongada por meio de transmutagênicos somente para deleitar a visão desse crápula real, e forçada eternamente a conversar e entretê-lo. E a pobrezinha, não obstante, desenvolveu uma fortíssima Sindrome de Estocolmo e de Pânico no cárcere privado. Não suportava nem mesmo imaginar-se fora da prisão de vidro, e chegou ao ponto de sentir afeto pelo sequestrador monarca, pondo a culpa do seu rapto num "azar" de nascer flor (!!) dum planetinha desértico! Coitada.
E por último, esse verdadeiro vilão ainda capturava cometas para viajar, meio de transporte altamente volátil, destrutivo e - mais uma vez - anti-ecológico. Alguém controlava a emissão de gases do cometa? A trilha de fragmentos que eles deixavam que atingiam diversas partes dos diferentes planetas visitados? Vocês acham mesmo que ele respeitava sinais galáticos de trânsito e as rotas permitidas? Sorte dele e azar nosso que ele nunca se deparou com um cruzador imperial, aonde Darth Vader mandava fritar os asteróides em seu caminho... Seria um fim digno desse pesadelo ambulante imaginado por St. Exupery.

E o segundo seriado do mal, um verdadeiro trabalho multimídia do capeta... Sítio do Pica Pau Amarelo. A obra-prima de Monteiro Lobato sobre a apologia às drogas.

Criados por uma velha (cadê os pais dessa molecada? Isso é tráfico infantil!) com cara de boazinha, mas na verdade líder de uma gangue rural, os meninos foram deturpados pro caminho do mal.
Afinal, como eles faziam para "voar"? Cheiravam "pó de pirilimpimpim".

Sei... vendem quilos e mais quilos desse "pirilimpimpim" na Rocinha. Chama-se cocaína, mano! Cheiravam a farinha pra ir pra "Terra do Nunca"; o lugar da vertigem.
E quem refinava a parada? Um tal de Visconde de Sabugosa! Não só um sabugo falante - fruto de altos baratos lisérgicos - mas era um nobre da burguesia! Um playboy, diriam alguns, abusando de pobres roceiros no seu conlúio com a velhota - que, mais do que traficante de drogas e crianças, também era escravagista. Ou ninguém se lembra da Tia Nastácia? E além de refinar a droga, aventurou-se pelo ramo petrolífero, descobrindo um poço no sítio. Tudo ilegal, óbvio.
A própria Tia Nastácia não era inocente. Era forçada a trabalhar fazendo rosquinhas de povilho ou bolinhos; eufemismos para os psicotrópicos traficados pelos aviõezinhos - "jovens da cidade que vinham em férias pro interior".

E enquanto isso, as crianças iam consumindo mais "pirilimpimpim"... e as viagens eram impressionantes: viam saci, jacarés e porcos falantes, iaras, lobisomens e até deram "vida" a uma boneca de pano, parceira nessa vida bandida! Entorpecido e cheirado até a alma, uma vez Pedrinho matou uma onça, coitada, ajudando na extinção da espécie e na venda de peles no mercado negro.
E como era o nome da mais viciada?
NARIZINHO! Cheiradora até no nome!
Ela é da segunda geração de traficantes de droga, então já aprendeu a fazer o bolinho de polvilho da velha do morro, opa, do sítio. Ou seja, o negócio não tem hora pra acabar; ao contrário, ele tá é se expandindo!

E me falavam que isso não é violento. Que dá bom exemplo.
Rá!

Bom exemplo mesmo vem do Chaves, que não tem um palavrão, uma morte e uma apologia a nada de errado!

4 comments:

Nicole Nicolela said...

Hahaha nunca havia pensando nisso.. E não é que faz sentido ?
Adoro seu blog, que bom que voltou a postar..=]

DEXPEX_{Amar Yasmine} said...

Querido Senhor Monjh!

Tem um presentinho para o Senhor no meu blog.
Agradeço seu carinho de sempre.

Doces besos!

DEXPEX_{Amar Yasmine}

A Pandora said...

Louco como sempre,
gosto de te ler,
mesmo quando nã concordo.

Leitura inteligente e deliciosa.
Bjs.

Monjh - Senhor dos Muitos Nomes said...

O texto não é meu.