Saturday, November 08, 2008

Carta a um alguém

É, de nada adianta agradar aos outros. Afinal, se não consegue agradar a si, para que agradar os outros? Se não consegue ser fiel a seus dogmas e crenças, para que agradar aos outros? Se não sabe como se ajudar, para que agradar os outros?

Talvez sejam divagações pequenas, coisa que a maioria considera pífio ou mesmo infantil. Mas que espécie de mundo é esse onde devo deixar de ser eu mesmo somente para agradar a estrutura social? Não, obrigado, prefiro as ofensas e minha felicidade pessoal que falsidade e gente que só gosta da casca social que eu apresento. Sempre fui contra sermos algo que não acreditamos e fingir só pelo apreço dos demais - me soa fraco, covarde, sem moral. devemos ser autênticos, e esquecer falsas qualidades que só existem porque alguns são incapazes de lidar com as próprias limitações.

Não deixarei de ser essa figura arrogante, que sempre vai contra a falsa modéstia. Minha sinceridade sempre irá doer, e eu não farei questão alguma de escondê-la. Não irei fingir que não possuo qualidades somente para ser agradável, tampouco irei fingir que o que é errado é certo somente por educação. Não faz parte de mim ser falso e dissimulado, e qualquer um que me conhece bem sabe disso. Não sou um poço de sabedoria, mas a sinceridade conheço bem.

Não adianta colocarem maquiagem, roupas novas e mudar o corte de cabelo, pois boa parte da dita educação, modéstia e outras tidas "qualidades" me soam falsidade. E disso prefiro passar longe, mantendo sempre em mim a sinceridade - sim, ela dói, mas antes a verdade que confortáveis mentiras. Sempre tive asco de mentir para ser gentil. Sempre achei isso algo desprezível, defeito, fraqueza de caráter. Coisa de quem ainda tem muito a aprender sobre o que é ter maturidade, moral, ética.

Alguns consideram minha vida uma mentira, mas nada posso fazer. Apenas lamento que sejam incapazes de acreditar em mim, incapazes de acreditar em meus olhos. Infelizmente, confiamos e colocamos a mão no fogo por alguns, e estes respondem com desconfiança e intolerância. Em um mundo diverso, quem não aprende a respeitar e a conviver com as diferenças me soa estranho, embora compreensível (afinal, em relação a algumas pessoas, também sou estranho, porém compreensível - insira aqui seu sarcasmo, se for de sua preferência). Algumas coisas são, e sempre serão, estranhas a meus olhos.

Somente um lembrete: depois de muita reflexão eu consegui entender o quanto a sinceridade me anima e o quanto o fingimento me deprime e reprime. Não irei voltar a me reprimir para alegrar ninguém, e terão de aceitar que sou assim mesmo. E, pelo que parece, até o final de meus dias.

Espero ter sido bem claro, agora. Ao menos neste ponto.

3 comments:

IZA, A ANTIPÁTICA said...

Bem, você sabe que divergimos um pouco sobre esta questão, não é? Para mim, um pouquinho de delicadeza e polidez não fazem mal e nem matam ninguém... Mas ao mesmo tempo, é como já disse para você anteriormente: Te descobri e te conheci sendo assim. Você não é perfeito aos meus olhos (e nem deveria), e deve ser por isso que sinto por você tudo que sinto. Para mim não é uma questão de eliminar o que o outro considera um defeito em você, mas também é não impor seu defeito ao outro. Entendde?

Enfim... quem sou eu para falar dos defeitos alheios?

{Pamina}-Monjh said...

Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...

C.L.

Juliane G. said...

Ninguem pode agradar a todos ao mesmo tempo, isso é certo.
E tenho certeza que nem é obrigação de ninguem.
Então, enquanto você não fere ou ofende diretamente alguém, ser o que vc realmente é não tem nada de errado.
Certo, errado, bonito ou feito, moral e sociedade... Coisas relativas.
O ser humano vai muito alem dessas coisas, dá-se dai as diferenças que conhecemos.

Bjs, Monjh.