Wednesday, December 12, 2007

Êxtase, Entropia, Dinamismo

Não me ouvirá falar que o mundo é belo e está aí para se aproveitar. Não me ouvirá falar que podemos tocar os cinco sóis, bastando querer. Não me ouvirá contar sobre batalhas épicas onde triunfa qualquer fagulha de humanidade incorruptível. Não tecerei conjecturas sobre um bom coração, alma ou clã. Nem mesmo me ouvirá dizer que a vida é para ser aproveitada.

Rumamos ao fatídico ponto de encontro à estática. Estamos fadados ao ponto em que seremos apenas reflexos daquilo que pensamos que devemos ser, e não sermos aquilo que sonhamos quando criança. Estamos presos numa roda - irônica - que faz tudo em nossa vida repetir, num marasmo de sintonias e cacofonias, um conclave mudo e agudo, sem som e completamente barulhento. Não, nenhum paradoxo ou contradição aqui. Somente verdades que teimamos em dizer, sorrindo, o quão belos podemos ser. "Basta querer!" é o que dizem. E então, por que não somos? Por que você não o é, e está com tantas dúvidas?

E não, o diálogo não é para você. Não necessariamente.

Não há mundo perfeito, ideal ou desejável. Não há condições boas, fortes ou que nos dêem força. Não há nada senão um mundo de seres iguais, seguindo o mesmo padrão e cometendo os mesmos erros. Para que mudá-lo? Pra que torná-lo diferente de algo que nos dá a segurança para vivermos tal qual precisamos e tiramos nossos desejos - sendo estes plenamente realizados ou não? Não há necessidade na mudança, não há necessidade em coisa alguma. Tudo está perfeito tal qual está. Já temos nossas vidas: nossa infância, nossa rebeldia adolescente, nossas brigas, nosso sexo, nossos relacionamentos, nossos filhos e netos, nossas frustrações (sejam ou não desejo nosso), nossas alegrias, medos e morte. Para que algo mais?

Não, não fui eu quem disse que precisa ser assim, nem você. Aprendemos tal julgo de valor quando mal conseguimos articular algo diferente de um ruído estranho que pode significar várias coisas, dependendo unicamente de sua intensidade, variação vocálica e expressão corporal e facial. Não temos mundo algum nas mãos, só desejos. E não, nem todos irão realizar coisa alguma além de perceberem que o mundo não para por sua tristeza. De fato, uma minoria - inexpressiva demais, talvez, n'uma estatística - tem o poder de entender e ir além. Se essa minoria quiser ascender... Que assim seja.

E não, este mundo não é local para esta discussão, muito menos estas - ou quaisquer outras - palavras. Já basta!

8 comments:

iza said...

Talvez seja a dor de cabeça que anda me perseguindo, talvez seja minha incompetência em te compreender, talvez seja o excesso de subjetividade sua, ou ainda, a minha incompetência em compreender os seus excessos de subjetividade. O fato, é que algumas vezes para mim não fica claro o seu interlocutor nos textos. Enfim... Acho que a minha sensibilidade anda enferrujada nos útimos tempos por falta de uso. Ossos do fício.

Bia Ferreira said...

Mas eu sou uma boba alegre!!!! rss

Juliane G. said...

Quando foi a última vez em que fez algo pela primeira vez?

Astarte said...

Lembra quando eu falei que você era o Cavaleiro de Espadas? Este naipe diz respeito também ao grande ceifador, à morte não apenas em seu sentido literal - é onde todas as crenças vazias são destruidas, todas as contruções desabam, e o vento varre o que resta. Sobra algo meio caótico... Como o caos dos primeiros tempos, a Nix dos gregos...

Apesar de você talvez achar que eu discordo e repudio dessas idéias, eu admiro imensamente. Apenas estou em outra frequencia.

E se eu estiver totalmente fora, bem... Foi o que me deu vontade de dizer quando li.

:)

monjh said...

iza, escrevo tudo em tempestade cerebral. faço o mesmo quando recito - pois detesto decorar algo e declamar.

juliane, a cada dia faço algo novo e inesperado. pode ser desde a maneira de beber um copo d'água até como olho pros pássaros em minha janela (e muitos deles entram em minha casa). e você, quando fez? e daonde vem?

Fabiane Colling said...

acho q foi um dos textos mais fodas q eu já li, dos seus!

bah.. saudadela!!
^^
=**

Fabiane Colling said...

acho q este foi o texto mais fodas q eu já li, dos seus

bahh.. saudadelaa
xDDDD~~~

=**

Raysla Camelo said...

Quanto tempo eu não passo por aqui, e tá tudo tão diferente, tá tudo tão bom. Tudo tão gostoso de ler.

Beijo, Monjh.

Saudade eterna de você.