Thursday, July 05, 2007

Escritos

O Sonho Mais Lindo


Amanheceu, então já me vou embora
Pelo país que chora e a rebelar
Amanheceu, hoje eu jogo fora
Pelo país que volta a despertar

Escuto o riso do palhaço quando então
Ele sofre o escárnio, que tanto no abraço
Ele se predispõe a chorar e soluçar

Anoiteceu, agora eu sigo afora
Pela janela, outrora a me criar
Anoiteceu, a luz faz-se de nova
Sempre cantando em um doce embalar

Eu vejo o trapezista cego, mas não
O sinto esperto, tamanho cagaço
Que somente ele esconde, mas sente no ar

Adormeceu, então já vejo embora
O sonho tardio que perdeu o sonhar
Adormeceu, como doce e amora
Desperta o gosto e só posso lembrar

E percebo a bailarina manca, que não
Tarda e se espanta, sobre cada pedaço
De uma mediocridade tamanha em seu olhar

Então morreu, o sonho foi-se embora
De uma longa demora a se esperar
Então morreu, a luz que um dia retorna
Sobre cada esperança, deixa a desejar

E ele morreu...


Rouquidão


Sou o tipo do cara que nada sabe ver
Não percebo sua voz, tristeza, solidão
Me perco em mágoas, rudez, devassidão
Faço esquecer de mim mesmo mais uma vez

Eu sou bem daqueles que nada sabe ou quer
Ignoro minha voz, integro aspereza
Adormeço sonhos, desperto avareza
Mas jamais cultivo uma lágrima sequer

Sou fruto de fútil perversão e meu desdém
Sou aquele que esqueceu seu amor e apreço
E que transformou desejo a ódio, desleixo
Sou aquele que destruiu seu casamento, AMÉM!!

Sou sonho quando bem me lembro de ninguém
Sou apenas mais um, perdido na multidão
Daqueles cuja sorte sempre disse não
Sou mais um, preso em minhas máscaras e além

Lágrima quando desejo ser suspiro,
Sou sátira quando escondo desespero
Sou escárnio quando da lembrança almejo
E mágoa quando desejo ser sorriso

Se dessa força eu crio em esperança tardia,
Se desse fosso eu cavo em minhas memórias,
Se da lama chafurdo dessas histórias,
Esqueça meu nome e tudo que ali havia


Nomes em Vão

Sou a voz da sua chaga
Sou o fruto da sua desgraça
Sou emancipada agonia
Triste, só de quando havia
Um doce canto a me embalar

Sou rancor, pudor e desdém
Suor, balela e franqueza
Sou o espelho estilhaçado
Imagem turva de ninguém
Sou a sua chaga, amém, e além

De roto e pueril bastam seus caprichos,
Pois de tão bela perde a fala, mas que doce desgraça
Quando de uma só vez, se cala e entende de uma vez

Eu sou a doce sensação de derrota em sua vida
Eu sou a ferida aberta que te lembra daquela vadia
Eu sou a risada de fundo e a vontade de socar
E sou exatamente aquilo que queria tocar

Enxugue suas lágrimas e vá lavar o chão
Enxágüe o rosto e compreenda, “varão”
Que nada daquilo que deseja será seu
Por motivos que vão além dos olhos meus
Ou mesmo por detrás dessa sinfonia

Ó, doce menininha, que suspira alegre e feliz,
Tão sábia com suas flores e colibris
Mal sabe da verdade que te espera
Aquilo que te expurga, “desespera?”
Quando do ar, saltimbanco, grita
“Eu a amo, minha querida!”
Somente para deixá-la mais uma vez.

E se depois de todo esse escárnio
Construído em sua vida, de fato
Não for suficiente para tudo isto acabar
Te digo então: “abra esse olhos e pare de pular!”


Dívidas a Pagar

Estes são meus olhos
Estão ébrios pela fumaça
Pelo frio de sua língua
Pela cama mal-dormida
Eu sou a fumaça nos olhos

Estou ébrio, frio e mal-dormido
Perdi meu julgo no mar
Perdi minhas forças num bar
Perdi meus olhos num cigarro
Perdi o sorriso numa festa qualquer

É apenas o preço a pagar
E o esquecimento é somente um eco
Quando não se quer mais sonhar

9 comments:

Antônio Hezir said...

Monhj,

Seu poema "O Sonho mais lindo" é bom. Eu sugeriria uma pequena mudança, mas pode ser porque não entendi exatamente o que queria dizer, ou por preferir outro sentido.. ehhehhehe então deixa assim mesmo

O padrão de rimas é interessante (abab cdb). Apesar de eu não apreciar rimas em infinitivos, foi bem feita. Achei completamente descenesário o último verso, "E ele morreu...". Ele já morrera na estrofe anterior. Ese último verso acaba, estanhamente, por aliviar o clima pesado e denso do poema, talvez por quebrar o padrão de métrica e rima.

Confesso não ter lido os demais poemas, mas digo que, se eles seguirem o mesmo padrão de qualidade, você ainda tem o que melhorar, mas já segue um bom caminho, podendo trazer boas surpresas poéticas no futuro! :D

Abraços!

Raysla said...

Você está pior que meu irmão com essas condições...
Chantagem não é uma virtude!
rsrs

Depois eu leio, prometo!
E faço um comentário digno, também prometo!

Até!
^^

Bruno said...

Nunca gostei muito de escrever poesias, leio algumas, e gosto de poucas... Acho muito bonitas e tal, gosto de ler. Não gosto de escrever, só isso...

Mas essas aqui são muuuito boas :D

Abraços

Raysla said...

Tudo isso me lembra Augusto dos Anjos.
É lindo, suave e penetrante, como um bom poema deve ser.

Gostei mais do último, não sei, me fez pensar bastante.

Por que você não se inscreve em um jornal? Aqui tem uma página para os escritores amadores... ainda dá pra ganhar uma graninha pra comprar a Vodka. rs

Beijo, Monjh.

Bruno said...

Já disse que eu prefiro esta parte aqui:

Sou fruto de fútil perversão e meu desdém
Sou aquele que esqueceu seu amor e apreço

?

HAiUAHiUHAiA

Abraços

Chico said...

2046 tá em minha lista do Torrent, mas como são poucos feeds, tõ deixandpo meio pra depois...

Mas, valeu pelo toke

:)

Chico said...

a tristeza...sempre ela...


mas, comemoremos ela...sem a felicidade naum a tisteza...s v apenas um sentimento a amrofo...q nem sei o q é...apenas sei q ela provoca a letargia...a falta da vontade de viver

Bella...=^.^= said...

Perdi minhas forças numa noite mal dormida. E o frio da língua me entorpeceu...

Amei o último poema. Lindo demais.!!!
Espero que não passe mais pelo "branco" que me atormenta..rssrrs

Bjossssssss

Bella...=^.^= said...

PS: que foto hein..rsrsr