Monday, December 11, 2006

Rouquidão

Sou o tipo do cara que nada sabe ver
Não percebo sua voz, tristeza, solidão
Me perco em mágoas, rudez, devassidão
Faço esquecer de mim mesmo mais uma vez

Eu sou bem daqueles que nada sabe ou quer
Ignoro minha voz, integro aspereza
Adormeço sonhos, desperto avareza
Mas jamais cultivo uma lágrima sequer

Sou fruto de fútil perversão e meu desdém
Sou aquele que esqueceu seu amor e apreço
E que transformou desejo a ódio, desleixo
Sou aquele que destruiu seu casamento, AMÉM!!

Sou sonho quando bem me lembro de ninguém
Sou apenas mais um, perdido na multidão
Daqueles cuja sorte serpe disse não
Sou mais um, preso em minhas máscaras e além

Lágrima quando desejo ser suspiro,
Sou sátira quando escondo desespero
Sou escárnio quando da lembrança almejo
E mágoa quando desejo ser sorriso

Se dessa força eu crio em esperança tardia,
Se desse fosso eu cavo em minhas memórias,
Se da lama chafurdo dessas histórias,
Esqueça meu nome e tudo que ali havia

8 comments:

Rogerio said...

O melhor texto até agora. Sincero, intimista. Essa poesia se permite sentir.

monjh said...

obrigado, marquitos!

Rcesar said...

Alexandrino? Quanto a cidade: no meio da ilha, Yorkshire, terra da pronuncia mais embolada do mundo.

Luisa Blue said...

Nossa.. intenso e verdadeiro????

Jamille Bovary said...

Tô né... vou morar em Londres, mas só em janeiro (como se fosse só no ano que vem... e é..)
Nossa lindo texto!!!

Sua mulher. said...

:*

Amo seus textos.

Wer said...

Kra... Eu gostei... Realmente muito bom, considerando que se trata de um poema. Não é que eu não goste por causa das "firulas" é toda a idéia por trás do gênero lírico. É subjetivo demais. É pretensão de qualquer leitor de poema entender o que o autor quis dizer... É íntimo demais, entende? De qualquer forma, analisando da perspectiva sonora do texto e o tema tratado, deveras bom :P Não pare de escrever, pois vc mesmo sempre entenderá, e no fundo é o que importa. Ou assim eu acho...

Abraços, TIO :P/

Entenda said...

Poesia mais que bonita... faz sentir o outro em cada palavra... me fez ser essas pelavras também...