Thursday, December 17, 2015

3... 2... 1...

Não existe paz em águas turvas. Não existe sossego em vozes destoantes. Só há harmonia quando o todo se une, quando as pequenas intrigas são esquecidas.

Aviso a todos os lados: abandone as mentiras ou elas te consumirão. Seja sincero, diga a verdade de tudo que ocorre em cada pedaço, e não omita nada. Existe um motivo pelo qual somos tão desconfiados do outro, e não há maneira melhor de retirar mascaras alheias que tirando a sua primeiro.


Abra o jogo, antes que seja tarde demais.

Friday, February 06, 2015

Estereótipos

                Começamos em arquétipos embasados naquilo que aprendemos com filmes e palavras. Absorvemos que imagens constroem o psicológico e não o contrário. Julgamos que ações são dissimuladas pela figura que nos é inicialmente apresentada ou modificada. E ficamos assim até começarmos a galgar nossa socialização.

                Quando começamos a penetrar a primeira camada de interações sociais descobrimos que a imagem corresponde só em parte do que o psicológico é. Começamos a associar que nossa percepção inicial possui falhas: não é porque é metaleiro que é encrenqueiro, que por ser funkeiro é vidrado em sexo e dinheiro, que por ouvir samba é vagabundo. Prestamos mais atenção a gestos e palavras, unindo-os em nosso entendimento de expressão corporal e a partir disso tecemos nosso julgamento. Observamos, procuramos entender e depois julgamos.

                O engraçado disso é que, devido à nossa necessidade de familiaridade e classificar o mundo que nos envolve, nos espantamos quando outros demonstram ações e reações diferentes do que esperamos. Somos viciados em encaixar cada figura que nos é apresentada em formatos que consigamos entender, talvez querendo abstrair sentido de um mundo que, muitas vezes, não produz sentido algum. Não queremos o novo, queremos apenas o que esperamos de algo novo, algo que tenha comportamento, ação e reação previsível, estabilidade. Queremos poder predizer o outro para não lidar com o caos diário.


                Não me isento desse julgamento, assim como não digo que todos assim se portam. Mas o mais divertido é observar como as pessoas se traem ao dizerem buscar o novo quando só esperam as velhas e previsíveis reações que aprenderam em vida. Um grande jogo viciado.

Saturday, February 22, 2014

Sociedade pode ser demais

Francisco sempre foi o sócio carrancudo. Exigente, não gostava de nada fora do lugar, e Lucas nunca foi de fazer as coisas da maneira que Francisco gostava. Lucas admirava o sócio, tinha grande afeição pela capacidade dele, e boa parte das vezes embarcava nas idéias de Francisco. O problema era o gênio tempestuoso...

Lucas tinha um sério problema em controlar suas objeções mais... ríspidas (digamos assim). Francisco costumava argumentar com calma (ou o que ele considerava calma), mas não tardava até que ele também soltasse suas bravatas. Por mais que a sociedade fosse excepcional e um modelo às empresas do ramo, pequenas divergências (que, na verdade, se mostraram grandes desentendimentos quanto ao rumo que cada um buscava) por vezes levava os dois a seriamente reconsiderar a sociedade.

Francisco já havia, por vezes que pareciam incontáveis, vendido sua parte da sociedade no mercado de ações, para começar outra empresa, com outros sócios, não gostar e comprar tudo de novo para voltar à sociedade com Lucas (ou boa parte das ações - ou o que ele achava boa parte). Essa inconstância do rabugento, que Lucas sempre considerou danosa à empresa e à amizade anterior dos dois, acabava danificando a vontade do jovem em ali permanecer. Não tenha dúvidas, Lucas sabia das capacidades de Francisco, mas era temeroso sobre como as coisas poderiam acabar se as contendas não se resolvessem.

Então Francisco resolve embarcar em mais um negócio e acaba até fundando uma filial própria, mas desliga-se de seu cargo na empresa matriz pouco depois por desentendimentos com a diretoria. E, para surpresa de todos, volta à sociedade com Lucas. O grande problema, caro leitor, é que Lucas já estava tão cansado do jogo que resolve, ele mesmo, sair da empresa, deixando o conviva desolado. Francisco, então, promove várias reuniões com o confrade, na tentativa de voltar àquela empresa que os dois abriram juntos, cheios de sonhos e esperanças. E assim Lucas volta, mas não sem antes extensas negociações para garantir que tudo funcionasse.

A questão do que cada um esperava dos rumos da empresa acabou levando a discussões fervorosas com o tempo, consumindo mais em reuniões do que fazendo dinheiro, resultando em decidirem fechar a empresa de vez. Lucas, já de saco cheio da falta de objetividade do sócio, decide, finalmente, dizer tudo que estava guardado há tanto tempo sobre aquelas atitudes e mandar Francisco à merda de vez. E não se falaram mais.

Francisco, que até tinha esperanças com a empresa, se sentia minado com a forma que o negócio andava, e até que achou que foi de bom tom encerrarem tudo. O que Francisco realmente queria era que Lucas tivesse sócios ativos em qualquer outra empresa que fosse entrar ou fundar para entender, finalmente, o porquê de ser sempre tão exigente e reclamão. Ou assim ele imaginava que fosse acontecer.

Sobre Lucas... O garoto até que se deu bem na vida, mas vive se lembrando de sua primeira empresa, com seu antigo amigo de Faculdade, com uma saudade que as vezes o levava a divagar. Mal sabia ele que Francisco fazia o mesmo.

Friday, February 21, 2014

Um grito é o que basta. Um som, amplitude reconhecida, para mover os caminhos antes fechados. A revolta, a sensação de perdição. Assim se movem montanhas.

Saturday, November 09, 2013

Emiliè Simon - My Old Friend

My old friend, my old friend
Come close to me
I want to talk about the sunny day
It's almost as if the sky Fell on my shoulders
It's funny cause in my mind It seemed easy to talk to you
My old friend, my old friend She left me, she took alone
All the sunny days
It's almost as if in the sky Fell on my shoulders
It's funny cause in my mind
It seemed easy to talk to you
Now she's gone, It snows over my smile today
Now she's gone, and I know she is miles away
Now she's gone in a sad way
It's a sad, sad day...
My old friend, my old friend
You hurted me
I trusted you and I was wrong
It's almost as if the sky
Fell in my shoulders
It's funny cause in my mind I didn't see it coming, I didn't see it coming, I did'nt see it coming, from you
Now she's gone, It snows
over my smile today
Now she's gone, and I know
she is miles away
Now she's gone in a sad way
It's a sad, sad day...
...In a sad way...

Saturday, April 06, 2013

Parabéns, União Européia!

http://revistaepoca.globo.com/Ciencia-e-tecnologia/noticia/2013/03/uniao-europeia-proibe-venda-de-cosmeticos-testados-em-animais.html

Isso não é uma vitória, é um retrocesso.

Boa parte das tecnologias que temo hoje não são capazes de encerrar todos os testes em animais (somente alguns - e os que podem boa parte dos governos obrigam as empresas a fazerem uso deste meio alternativo, inclusive este país aqui), o que faz esta medida uma quebra tremenda de segurança para produtos que não são somente rímel e lápis de olho (ou acha que creme para queimadura é puramente medicamentoso?). O tecido sintético que a tecnologia atual é capaz de produzir somente dá a percepção micro dos efeitos do produto (ou seja, é necessário todo um sistema para termos o macro - quem mandou serem contra pesquisa com células-tronco e clonagem? Parabéns pelo atraso científico!), o que faz (infelizmente) necessário o uso de cobaias em pesquisas.

Não sei quanto ao resto do mundo, mas sou muito mais uma pessoa que um animal, logo (por mais que eu saiba que alguns testes - não todos, energúmeno - são cruéis) antes usarem cobaias animais que humanas. E repito: encerrando testes em animais fode-se TODA a segurança do processo, dando ao mercado produtos que podem fazer grandes merdas por causa de ativismo político estatal (e que maravilha Estado saindo de sua função social para ficar de 4 a grupos de pseudo-ativista, né? Lindo!).

Se pensa que isso acaba por aí ou que somente afetará os europeus repense. Se isso chegar aqui eu garanto que produtos que não possuem segurança garantida sem testes em animais eu só usarei se forem contrabandeados de onde se pode realizar os testes.

E se acha que a medida tá certa, faz assim: pare de usar roupas, calçados, viver sob um teto construído por mãos que não as suas e vive como um animal, ok? Chega de hipocrisia.

Wednesday, January 02, 2013

Finito

A vida é uma caixinha de surpresas. No desespero, exorcizamos nossos demônios da maneira mais pútrida que conhecemos, apenas para ver se encontramos uma paz momentânea, ainda que nos custe alto. Procuramos um caminho para lidar com as novidades, e sempre esbarramos na possibilidade da inércia. Somos um amontoado de jogos imorais, e alguns revelam isso de maneira sublime - mas não se engane, há sempre a voz do desgosto para visitar os pensamentos incautos.

Talvez a certeza da finitude da vida faça com que muitos queiram se afastar, ou só alguns. Talvez seja somente uma desculpa para mostrarem que somente desejam o próprio bem-estar, construindo um esquema de destruição para se mantém em seu objetivo. Talvez seja um infortúnio. Quem se importa, no fim? Não há lamentações suficientes depois de tomar as ações, as marcas já foram feitas. Arque com o que plantou.

Se considera suficiente tudo que fez, parabéns. Mas pense bem antes de tomar atitudes drásticas ou pode ser tarde demais.

Sua vida, seu jogo. Sua vez.

Saturday, December 29, 2012

Gravidade

O chão pesa. É uma vibração recorrente que remete a uma gravidade maior, embora esteja claro que não é bem assim. É um peso extra que não vem de mim ou pressão externa. É o de fora, o alienígena, pesando e mostrando que está ali, que inverte a sensação de mundo e acolhimento.

Soa como se fosse um trabalho excessivamente dispendioso. Cheira ocre, onde a doçura inicial é difícil de perceber nas últimas notas. Um tabu sem motivações, onde o desejo por fazê-lo não estaria inibido por pressões externas. É um jogo de caça. É um palco para desinibições sem público para apreciá-las. É um teatro pueril, onde pouco importa o júbilo se não há outros para contemplarem seu sorriso.

Ainda acordado, penso se os passos ainda são pesados. E ainda o são. Bem vindos à terra esquecida e desapareça no vento. Aventure-se sabendo que existe a vontade e a não aceitação dela. E aventure-se sabendo que nada aqui dito é real ou ilusório, ou mesmo pessoal.

O chão pesa. E não é o meu chão.

Tuesday, November 27, 2012

Reatando um relacionamento

Roberta sabia que tinha algo errado. Eram desculpas demais, compromissos demais, demandas demais. Prazos que só existiriam se ele tivesse outro emprego. Ela sabia que havia algo por trás de toda aquela mudança de comportamento. Mas ela resolveu entrar no jogo.

Saber do que acontecia dava um aperto no peito, um nó na garganta e uma incrível vontade de sumir... e chorar. Havia tentado por tanto tempo para que ele, quando finalmente entra em harmonia com seu desejo, resolve "omitir" que não era como dizia ser. Ela já estava acostumada com isso no passado, quando eles não estavam tentando algo mais sério, mas ele nunca mentiu. Por que isso agora? Ele só quer se divertir? Ele só quer fingir que está tudo bem e ter outra vida? Ok, mas desta vez ela vai ditar as regras.

Ela fingia que acreditava em suas histórias, em suas desculpas. Saía, tentando se distrair quando podia, conversava com amigas, se focava mais no trabalho, flertava com um ou outro... Sim, afinal as regras do jogo mudaram e ela nem mesmo foi comunicada! Não iria se dar por vencida e deixar tudo explodir! Estava cansada de sofrer por algo por tanto tempo, era hora de mudar.

Cada vez que o encontrava, alfinetava uma situação. "Mas não disse que estava no trabalho?" Ele sempre tentava consertar, achando que convencia com suas desculpas esfarrapadas. Acabou que se divertia mais mostrando as mentiras de forma sutil que com outras coisas que pensava em fazer (como sair com seu melhor amigo quando tivesse fotos para mostrar a ele e encerrar tudo). E tá, o sexo era bom, mas ele não estava mais tão compenetrado. E era bem claro o motivo.

Ela começou a notar um padrão nas ações dele e resolveu dar corda à crença dele de que tudo estava escondido: fingia que não percebia e apenas dizia "pena ter esse compromisso hoje, nos vemos outro dia", fosse ao telefone ou internet. E começou a segui-lo. Ela já conhecia os locais que ele gostava de freqüentar: oras, 5 anos tem peso! E sabia bem como mudar sua roupa de maneira que ele não fosse reconhecê-la (que quase não repara em nada que não esteja à sua frente - tadinho...). E em uma dessas andanças que ela o viu... com outra. E essa outra era justamente uma grande amiga sua.

Com o coração na mão e suas mãos tremendo de ódio, tirou as fotos que queria, e foi-se embora dali. Não iria conseguir relaxar naquela noite, procurou só chorar em seu travesseiro até parte da dor passar e dormir. E assim o fez, por 3 dias... Até o ver.

Ela chegou com o sorriso habitual e o abraçou. Estavam em um bar e ela disse que tinha uma surpresa. "Tirei umas fotos pensando em você. Quer ver?" Ele estava meio tímido com a fala (era um local público), mas disse que sim com a cabeça. Então ela abriu as fotos que tirou com o celular. "Deveria saber que não tem como esconder algo de mim. Eu nunca menti no que eu sentia, e tampouco duvido do que você sente. Mas se fosse pra ficar com outra pessoa preferia que fosse sincero. Não sei se sinto nojo ou pena de você. Mas sei que agora é 'adeus'."

E embora seus olhos marejasse durante todo o breve discurso, ela saiu com a certeza de que era o certo a se fazer. Mais uma dentre tantas decepções, mas ao menos mais uma vez em que ela conseguiu sair sem ser tratada como idiota.

Sunday, October 14, 2012

Um dia...

E há dias em que o sol escurece. Uma lâmpada sem calor que, em vão, procura aquecer em noite de desatino. Talvez o furor com que fingimos viver essa apoteose entorpeça os sentidos, mas acredite quando digo que nada que se sente pode morrer.

Não, não são apenas mais algumas situações a lidar. A suposta calmaria que antecede essa tempestade é sinal do que ocorrerá ao barco que nela navega. A questão é só quando acontecerá, não se acontecerá. Navegar pode até ser preciso, mas se será fácil é uma história bem diferente.

Hoje sonhei e recolhi fragmentos diversos. Creio ser de senso comum esquecer-se do egoísmo, embora seja mais difícil do que parece. Não é para encontrar soluções mágicas, é aprender a lidar com as situações apresentadas da maneira mais sincera possível. É evitar fazer o que diz abominar nos outros, procurar ser você mesmo em cada ação. É não querer ser o outro sendo o outro. É ter empatia e procurar ser a pessoa em que acredita ser. É se lembrar do que te faz feliz e ser sincero com suas emoções e relações com o mundo e com você. É deixar de acanhamento e deixar o que deve ocorrer, seja alegria ou tristeza. É se ver no outro, e ver o outro em você.

A lua está convidativa hoje. Não, ela não está sorrindo, não anuncia uma noite agradável e nem promete jubilo. Ela é aquele que grita estando mudo, querendo arrancar a pele com as unhas para sentir algo diferente. Ela soa a desespero, rancor e escárnio. Resmunga coisas mil antes de se debruçar sobre você e oferecer mais uma bebida, entorpecendo seus olhos. E, invertendo o jogo do dia, desaparece por horas para marcar o vício.

Uma canção acústica para lembrar que a mesma heterogenia que nos cerca e nos mostra que não estamos sozinhos é a que nos obriga a dizer adeus. E pesa saber que o torpor é o que nos mantém vivos até o momento de parar, descansar e velar. E pesa saber que o torpor vem de muitos momentos em que a lua convidou para um passeio.

Não sei se digo que, no momento, aguardo o sol esquentar ou brindo com a noite.

Thursday, August 02, 2012

Briga de egos


Nomes em Vão


Sou a voz da sua chaga
Sou o fruto da sua desgraça
Sou emancipada agonia
Triste, só de quando havia
Um doce canto a me embalar

Sou rancor, pudor e desdém
Suor, balela e franqueza
Sou o espelho estilhaçado
Imagem turva de ninguém
Sou a sua chaga, amém, e além

De roto e pueril bastam seus caprichos,
Pois de tão bela perde a fala, mas que doce desgraça
Quando de uma só vez, se cala e entende de uma vez

Eu sou a doce sensação de derrota em sua vida
Eu sou a ferida aberta que te lembra daquela vadia
Eu sou a risada de fundo e a vontade de socar
E sou exatamente aquilo que queria tocar

Enxugue suas lágrimas e vá lavar o chão
Enxágüe o rosto e compreenda, “varão”
Que nada daquilo que deseja será seu
Por motivos que vão além dos olhos meus
Ou mesmo por detrás dessa sinfonia

Ó, doce menininha, que suspira alegre e feliz,
Tão sábia com suas flores e colibris
Mal sabe da verdade que te espera
Aquilo que te expurga, “desespera?”
Quando do ar, saltimbanco, grita
“Eu a amo, minha querida!”
Somente para deixá-la mais uma vez.

E se depois de todo esse escárnio
Construído em sua vida, de fato
Não for suficiente para tudo isto acabar
Te digo então: “abra esses olhos e pare de pular!”

Boemia


Diário da Presunção


Eu costumava ir naquele bar
Aquele mesmo velho bar
Com janelas quebradas e portas tortas,
Para acalmar minha sede por álcool

Eu costumava me sentar naquela mesa
Aquela imunda e mesma mesa
Com sua toalha rasgada,
Com sua cadeira quebrada,
Para saciar minha sede por álcool

Eu costumava rir com o dono do bar
Aquele porco mesmo, o dono do bar
Com restos de comida na barba
Com dentes podres e tortos
Para criar minha sede por álcool

Eu costumava transar com a garçonete
Aquela vesga e mesma garçonete
Dentro d’um banheiro ainda mais imundo
Em cima de uma privada ainda mais imunda
Para aumentar minha sede por álcool

Eu costumava ir àquele bar
Esquecendo sonhos e desilusões
E, inebriado pelo som d’um copo cheio,
Me juntava à fileira dos convivas locais
Para re-criar uma sede por nada

Eu e mais ninguém

Lembra-me do rosto cego
Talvez, por hoje, de mim
Mas nunca de momento algum
Ou de nome algum

Não sou conclave de irmãos
Não participo de reuniões
Sou avesso à nomenclaturas

Não gosto de pudores insossos
Não tomo gosto por jogos
Não me divirto com cenas
Não me vejo nessa pista

Lembra-me d’um riso amarelo
Talvez, por hoje, de mim
Mas jamais em ponto algum
Daquilo que quero esquecer

E se desse momento eu vejo
Não sei se soa... belo?
Ou se são meus olhos
A observar a miríade de cores
E a ilustração de novos olhares

Rouquidão

Sou o tipo do cara que nada sabe ver
Não percebo sua voz, tristeza, solidão
Me perco em mágoas, rudez, devassidão
Faço esquecer de mim mesmo mais uma vez

Eu sou bem daqueles que nada sabe ou quer
Ignoro minha voz, integro aspereza
Adormeço sonhos, desperto avareza
Mas jamais cultivo uma lágrima sequer

Sou fruto de fútil perversão e meu desdém
Sou aquele que esqueceu seu amor e apreço
E que transformou desejo a ódio, desleixo
Sou aquele que destruiu seu casamento, AMÉM!!

Sou sonho quando bem me lembro de ninguém
Sou apenas mais um, perdido na multidão
Daqueles cuja sorte sempre disse não
Sou mais um, preso em minhas máscaras e além

Lágrima quando desejo ser suspiro,
Sou sátira quando escondo desespero
Sou escárnio quando da lembrança almejo
E mágoa quando desejo ser sorriso

Se dessa força eu crio em esperança tardia,
Se desse fosso eu cavo em minhas memórias,
Se da lama chafurdo dessas histórias,
Esqueça meu nome e tudo que ali havia


Wednesday, January 25, 2012

Pensamentos ocasionais

Há uns anos atrás assisti dois episódios de seriados policiais distintos (se é que programas televisivos com a mesma temática podem ser qualificados como distintos) onde a temática era um assassinato e, nestes episódios, tinham relação com a comunidade surdo-mudo (não necessariamente o morto era integrante direto: não lembro se era parente, médico que lidava com eles... enfim!), onde a resolução do caso era a mesma coisa: matou porque a vítima queria voltar a ouvir/iria operar alguém para voltar a ouvir. Há pouco dias vi um episódios de outro seriado policial com a mesma resolução.

Não sou ingênuo (lê-se "politicamente correto") para achar que isso não ocorra. O "cerumano" (ainda mais os que creem estar devidamente inseridos em um grupo) não é exemplo de racionalidade, e boa parte dos crimes em comunidades específicas se dá porque um de seus indivíduos crê que alguém não segue os preceitos que ele crê a ferro e fogo. Mas não é assim que o público-alvo desses seriados vê a questão: eles identificam os elementos dos seriados com suas vidas e associam as mensagem produzidas como motes para seu cotidiano. Ora, vai dizer que nunca reparou como as pessoas incorporam elementos de novelas globais em seu dia-a-dia? E esse papo de que a emissora não tem culpa disso é tão inteligente quanto dizer que mandantes políticos não tem culpa do que ocorreu na ditadura em seu país.

Gostaria de saber o que ocorreu para escreverem episódios tão específicos. Dado o idioma, sotaque dos atores e localidades retratadas, esses programas de "excelente" conteúdo (oras, também tenho o direito de me alienar com idiotices!) foram feitos nos Estados Unidos. Talvez tenha ocorrido um (ou mais) processo(s) para que as emissoras se voltem a esse público diferenciado (surdo-mudo), e essa foi a retaliação. Mas seria só especulação...

Wednesday, August 24, 2011

Sorriso

Doce som de luar
Por que me embala?
É para dosar a nova voz?
Para levar novas melodias?
Conquistar outros poetas,
Seduzir outros em vão?

Uma breve canção ecoa
Um violão me adorna e seduz
Torna vento brisa
Fogo em alimento
E sorriso em alento

Corpo de breve sinfonia
Perpetuando uma doce paz
Me diga de novo, ao léu,
Se fui anjo dos provérbios

Palavras suas e minhas
Embalando em ninar
Aquela mesma simpatia
Que nunca deixei de admirar

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Música aqui

Algo além...

Ao todo, minha passagem soa efêmera. Razão esvai, mas não sem apetecer. Som se torna... mais que melodia. Imagens se tornam... mais que paisagem. O curto apreço... júbilo.

O homem se torna aquilo que cativa. Sua alma despojada perde espaço para algo mais sublime, se tornando uno consigo. Não é questão de poesia, é questão de coesão. É aquilo que chamamos de belo, sublime, platônico. É sair do desejar e alcançar. É ser o que busca e não refrear impulsos pelo receio do amanhã. É ter e desejar mais do que possa imaginar. É ser... completo.

Esqueça seus passatempos, seus medos e toda frustração, advindas da forma que encarou o mundo que jurou viver. Aceite-se como é e esqueça preconceitos. Abrace a forma jocosa que criou e aprenda outras maneiras de saber. Acima de tudo, aceite quem é e esqueça quem achou ser.

Um adendo, breve, é aquele que fala da solidão: "Nunca estarei sem meu eu." É... Quem sabe, com isso, deixa de bobagem e aprende a ler aquilo que escreve?

Saturday, August 06, 2011

Somos algo além do que imaginamos

Lúgubres feições se amontoam no pensamento humano. É estranho que damos nome aquilo que mais aborrece cada pedaço do que temos de são, como se isso espantasse nossos medos. Temores a desatino, somos unha e carne não com nossos desejos, mas nossas frustrações. E é aqui que a corda começa a arrebentar e mostrar do que somos feitos.

Muitos de nós escondem seu desejo de subjugar ou ser subjugado, seja em relacionamentos "sadios" ou trabalhos enfadonhos. Alguns escondem na música, outros no tom de voz. Alguns, acredite, escondem exacerbando seus anseios. E outros escondem postulando sobre quem gostariam de ser, mas têm travas emocionais demais para sê-lo.

Não venha me dizer sobre quem você é ou deixa de ser, apenas pare e reflita: até onde você realmente é você e até onde você é o outro? Talvez a pergunta se explique pela questão "como posso existir se existe o outro?" e pela resposta "somente existo porque há o outro.". Ou, talvez, ela se explique justamente por negarmos o outro.

Dominação é algo que se faz pela imposição da vontade, não por simples vingança ou vontade de sublimar temores. Tolice pensar que somos capazes de realmente esconder nossa vida jocosa através de um jogo pueril de poder - o máximo que conseguiremos é nos enganarmos e levar algum outro tolo (que também adora se enganar) no passeio.

A partir do momento que percebe-se o animismo inerente aos fetiches de nossa vida (roupas, celulares, relógios, computadores, etc.) tem-se a plenitude das relações cotidianas. Percebe-se que o rito de se vestir e andar até o trabalho mostram um pouco do que você é e até onde está disposto a ir. É, também, no espírito das relações cotidianas que reside nossa marca. É aí que se vê onde mora um espírito Dominador de um outro espírito de fantasia e jogos sociais (que servem apenas para satisfazer o frágil ego do ser que nada tem de ternura na maneira de enxergar o próprio mundo).

Imagine um funcionário de pet shop: Quase todos os dias ele se levanta, veste o uniforme, calça seus sapatos com calma e come algo. Depois de alguns minutos, depois de tudo aprontado, sai para o trabalho. Ele trata todos os clientes com sobriedade e clareza, e todos os animais que chegam aos seus cuidados como se fossem seu rebanho. Não se intimida por fera alguma, e jamais deixa que uma só mordida ou garrada levada passe sem uma repreensão firme e marcante. Jamais deixa um único objeto de trabalho desarrumado ou desalinhado, e todas as lâminas possuem um fio de corte na medida exata de sua função. Sempre que sai, apaga todas as luzes, tranca todas as portas e janelas e se certifica de que o alarme está funcionando.

Apenas da descrição breve, nota-se que o nosso funcionário não se trata apenas de alguém empenhado em seu trabalho, mas sim de alguém que, por uma questão ou outra, não se submete aquilo que o desagrada. Ele é fruto de suas próprias escolhas, uma das pessoas que procuram ser mestres de seu destino, saindo do comodismo que costuma inundar nossas mentes frente desafios.

Dominar com paixão exige comprometer-se ao exercício diário de dominar a própria vida, em toda esfera possível e imaginável. Exige comprometer-se a dar significado aos signos diários que nos acompanham, talvez antropomorfizando relações e símbolos. Exige comprometer-se a não se deixar abater pelas falhas presentes no cotidiano e situações excepcionais. Exige, ainda, ser real senhor de sua vida, vontades e desejos, dosando com a realidade tudo que permeia seu universo.

Dominar exige vocação, e não um simples desejo de ter o mundo a seus pés.

Saturday, June 26, 2010

Maus exemplos do Sítio do Pica Pau Amarelo e do Pequeno Príncipe (outro autor)

O texto abaixo é de autoria de Henrique Gonçalves do Carmo e está diponível neste link. Achei bem bacana e resolvi passar adiante.

Maus exemplos do Sítio do Pica Pau Amarelo e do Pequeno Príncipe.

Ontem, tivemos várias revelações aqui onde eu trabalho. Como todas as revelações importantes, elas normalmente aparecem quando você inicia uma discussão inócua, inocente. A de ontem era sobre desenhos animados. Cada qual falava seus desenhos favoritos, porque gostavam, se os outros lembravam... enfim, estavamos sendo saudosistas com os tempos que não voltam mais. E ao comparar desenhos e suas mensagens, descobrimos analogias interessantíssimas! Eu apresentei uma que já estava na minha cabeça há anos, e conheci uma nova. Você gosta de Pequeno Príncipe e Sítio do Pica-Pau Amarelo? Então o resto do post pode ser chocante para você...

Primeiro, porque o Pequeno Príncipe é um ecoterrorísta.
(Sim, você leu certo. Um ecoterrorísta.)

Desde que eu assistia o desenho, ficava chocado com a gana daquele princípezinho arrogante em chacinar os baobás. Já não bastasse ser um déspota auto-proclamado - porque se ele era o único habitante do asteroíde B-312, então ele se denominou príncipe, tal qual o cara de Sealand -, mas ele ainda podava incessantemente os baobás, a única forma de vida nativa do planetóide! Podemos ir além e dizer que ele era um genocída, já que uma espécie inteira de plantas alienigenas pereceu na poda desse "Zé Pequeno Príncipe".
E não contente em ser um déspota, genocída, e ecoterrorísta, ainda era sequestrador! Sim! Seu ódio as plantinhas não restringia-se apenas aos baobás inocentes, mas também à pequena e pobre Rosa que ele mantinha em cativeiro. Presa numa redoma de vidro, tinha sua breve vida prolongada por meio de transmutagênicos somente para deleitar a visão desse crápula real, e forçada eternamente a conversar e entretê-lo. E a pobrezinha, não obstante, desenvolveu uma fortíssima Sindrome de Estocolmo e de Pânico no cárcere privado. Não suportava nem mesmo imaginar-se fora da prisão de vidro, e chegou ao ponto de sentir afeto pelo sequestrador monarca, pondo a culpa do seu rapto num "azar" de nascer flor (!!) dum planetinha desértico! Coitada.
E por último, esse verdadeiro vilão ainda capturava cometas para viajar, meio de transporte altamente volátil, destrutivo e - mais uma vez - anti-ecológico. Alguém controlava a emissão de gases do cometa? A trilha de fragmentos que eles deixavam que atingiam diversas partes dos diferentes planetas visitados? Vocês acham mesmo que ele respeitava sinais galáticos de trânsito e as rotas permitidas? Sorte dele e azar nosso que ele nunca se deparou com um cruzador imperial, aonde Darth Vader mandava fritar os asteróides em seu caminho... Seria um fim digno desse pesadelo ambulante imaginado por St. Exupery.

E o segundo seriado do mal, um verdadeiro trabalho multimídia do capeta... Sítio do Pica Pau Amarelo. A obra-prima de Monteiro Lobato sobre a apologia às drogas.

Criados por uma velha (cadê os pais dessa molecada? Isso é tráfico infantil!) com cara de boazinha, mas na verdade líder de uma gangue rural, os meninos foram deturpados pro caminho do mal.
Afinal, como eles faziam para "voar"? Cheiravam "pó de pirilimpimpim".

Sei... vendem quilos e mais quilos desse "pirilimpimpim" na Rocinha. Chama-se cocaína, mano! Cheiravam a farinha pra ir pra "Terra do Nunca"; o lugar da vertigem.
E quem refinava a parada? Um tal de Visconde de Sabugosa! Não só um sabugo falante - fruto de altos baratos lisérgicos - mas era um nobre da burguesia! Um playboy, diriam alguns, abusando de pobres roceiros no seu conlúio com a velhota - que, mais do que traficante de drogas e crianças, também era escravagista. Ou ninguém se lembra da Tia Nastácia? E além de refinar a droga, aventurou-se pelo ramo petrolífero, descobrindo um poço no sítio. Tudo ilegal, óbvio.
A própria Tia Nastácia não era inocente. Era forçada a trabalhar fazendo rosquinhas de povilho ou bolinhos; eufemismos para os psicotrópicos traficados pelos aviõezinhos - "jovens da cidade que vinham em férias pro interior".

E enquanto isso, as crianças iam consumindo mais "pirilimpimpim"... e as viagens eram impressionantes: viam saci, jacarés e porcos falantes, iaras, lobisomens e até deram "vida" a uma boneca de pano, parceira nessa vida bandida! Entorpecido e cheirado até a alma, uma vez Pedrinho matou uma onça, coitada, ajudando na extinção da espécie e na venda de peles no mercado negro.
E como era o nome da mais viciada?
NARIZINHO! Cheiradora até no nome!
Ela é da segunda geração de traficantes de droga, então já aprendeu a fazer o bolinho de polvilho da velha do morro, opa, do sítio. Ou seja, o negócio não tem hora pra acabar; ao contrário, ele tá é se expandindo!

E me falavam que isso não é violento. Que dá bom exemplo.
Rá!

Bom exemplo mesmo vem do Chaves, que não tem um palavrão, uma morte e uma apologia a nada de errado!

Friday, March 19, 2010

Talvez

Não aconteceu do jeito que eu esperava. Nada disso.


Eu pensava nisso desde criança, mas em outras proporções e maneiras. Pensava na sensação que poderia ter, nas maneiras que isso poderia acontecer, o tipo de pessoas que estariam relacionadas com tudo... e foi tudo diferente.


Eu cheguei a abandonar a idéia um tempo atrás, e retomei um tempo depois, só voltando a desistir de tudo logo após. Ainda assim, certas coisas chegam de sopetão e te invadem, dando novos significados e expressões. Difícil descrever tudo, só digo que é bom... mesmo com todas as coisas ruins que aconteceram com isso. Não, antes fosse só chatice minha, realmente muita coisa chata ocorreu.


Mas... deixa pra lá. Algumas coisas não precisam ser ditas. Só pensadas.


(Nem eu sei bem do que estou falando. Sensações, sentimentos...)

Friday, November 06, 2009

Pra puta que pariu isso tudo. Dá uma ânsia difícil de explicar, até. Prefiro não me delongar. Só digo que é foda! Saco!

Quem sabe, sabe. No mais, espero que isso acabe logo (mas me parece que só acabará em alguns anos).

Tuesday, November 03, 2009

Passando só para não deixar isso morto. Quando tiver tempo, respondo os comentários da postagem anterior.

E... é, isso aí.